Admirável mundo on

Admirável mundo on

 

Para quem viveu um mundo sem internet e sem, sequer, a expectativa de que existiria uma rede mundial de computadores capaz de conectar a tudo e a todos, acompanhar os instantâneos e frequentes surgimentos de novas e novas formas de uso da web é, sem dúvida, muito assustador.

 

Entre suas primeiras aparições, com conexão discada (o seu som peculiar já virou peça de museu), e a sofisticação incessante das estratégias de uso da internet para a prática do marketing digital, não foram necessários mais que 30 anos.

 

Em tão pouco tempo, aplicativos e novidades virtuais que deixaram todos nós perplexos com suas possiblidades quando de seus lançamentos, tanto para uso pessoal quanto profissional, foram deletados do nosso repertório cibernético como um palito de fósforo após seu primeiro e único acendimento. ICQ, MSN, Orkut, são apenas alguns exemplos, sem entrar no mérito da evolução dos devices e hardware para suportar toda a “criacionisse internetiana”.

 

Visitando o best-seller do filósofo e escritor Aldous Huxley, “Admirável mundo novo”, escrito em 1931 e lançado editorialmente em 1932 na Inglaterra (no Brasil, em 1941), é possível perceber que essa obra de ficção científica e distópica que supõe inúmeras elucubrações futurísticas bastante ousadas num mundo para lá do ano 2.500, não anteviu algo parecido com a internet que temos hoje.

 

O momento é outro, bem diferente de 30 anos atrás. Seres humanos já nascem digitais e irremediavelmente dentro desse turbilhão, que, como o sistema social controlador previsto por Huxley, envolve a todos numa onda condicionante que mantém cada serzinho deste planeta refém das maravilhas do mundo on.

 

De fato, não há como não se admirar. São tantas facilidades, tantos os acessos, inimagináveis formas de conexão com o outro e com as coisas, de forma que a sedução impera desde uma simples pesquisa através de algum buscador até uma gracinha idiotizante num tik tok qualquer.

 

- Para onde vamos?, diria minha avó. A reflexão sobre o valor das inovações do mundo on, versus, como nos comportaremos no uso dessas maravilhas digitais ao longo do tempo, é absolutamente necessária. Não há como negar a influência sobre nosso modo de viver e nos comportar desse mundo ligado. Mas, como iremos lidar com essa conexão digital que nos pauta o tempo todo, que rege e dificulta a gestão do nosso tempo, em contradição à principal promessa que a tecnologia nos fez? Para pensar, entre um acesso e outros milhares.